Luiz César Cabral de Menezes, publicitário e designer
Ao descer de um ônibus, no ponto final, percebi que o meu guarda-chuva ficou na poltrona. Quando me virei para buscá-lo era tarde, já tinha acelerado e sumia no fim do terminal. Inconformado, fui à cabine do despachante da companhia transportadora. Ao explicar a situação, fiquei surpreso com a resposta:
- Que ônibus? Não parou nenhum aqui agora!
O comentário, reforçado pela opinião de três trocadoras atentas ao assunto não me deixou dúvidas: definitivamente devo ter pego um disco voador com roleta e limitado a 47 passageiros sentados.
Após muita insistência, o cidadão se dirigiu ao fim do plataforma e viu o ônibus, que acabara de contornar o quarteirão e já parava no ponto de embarque. Devolveu meu guarda-chuva e, educadamente, me pediu desculpas. Agradeci e não me importei, essas coisas acontecem.
O mais interessante aconteceu quando me deparei novamente com as três “marocas”. Ao passar por elas, uma não resistiu e perguntou:
- Como é que o senhor consegue perder um guarda-chuva deste tamanho?
Devolvi de bate-pronto:
- Isso não é nada! Imagine só! Acabei de ver um bando de gente perder um ônibus no ponto final!!!