É uma vez um menino chamado René Ruschel. Chegou há algum tempo, mais precisamente há 50 anos. A primeira caneta, que deu conta do surgimento de figura tão importante para os nossos dias que se seguem, foi usada para o seu registro de nascimento. Caneta histórica, essa. E como se escrevesse no ar com uma caneta imaginária, nosso herói, também conhecido pelo apelido de Neco, vive traçando sonhos. Estes sonhos são, na verdade, a realidade que cerca o René do sorriso fácil e do abraço amigo.
É verdade, ele escreve no ar com uma caneta invisível, mas tudo que deixa grafado na brisa se transforma na sua vida cotidiana. E vale o que está escrito. A vida, ele leva a colecionar mais amigos do que as inúmeras canetas que tem guardado. E não são poucas. Coleciona também bonés, mas isso já tem uma explicação mais plausível, pois a calva começa a se prenunciar e, prevenido como é, não quer queimar o couro já nem tão cabeludo. Agora, caneta para quê, caro René, se mais digitas do que escreves? Ah, já sabemos, é para dar os futuros autógrafos como o escritor famoso que vislumbramos.
Pois então, mais um ano foi escrito na vida prodigiosa do nosso herói René. Mais um ano em que ele escreveu nossa amizade com tinta não lavável, indelével. Homem das letras, nosso amigo Neco é mais popular do que a caneta BIC, embora tenha a elegância e o porte de uma Mont Blanc. Sua simpatia vem em todas as cores.
Ser seu amigo é saber que jamais dará uma caneta na gente (bola entre as pernas no jargão futebolístico. Viu leigos e leigas?). Ser seu amigo é saber que fomos ungidos por você, Neco. Esperamos que você viva o suficiente para utilizar todas as suas centenas de penas em autógrafos e em textos que sabe tão bem delinear. Escreva com tanta intensidade quanto escreve seus sonhos no ar.
Vida longa a você, Neco. E que nos reconheça nas imensas filas que formará num futuro próximo. Se formos reconhecidos, prometemos comportamento ímpar e par. Não furaremos estas filas, por mais quilométricas que sejam, mas que vamos contar muitas e boas nas rodinhas dos coquetéis, isso vamos. Pode escrever.
De seus amigos de sempre: Ana Miria, Ana Paula, Circe Brasil, Gerson Leal, karla Maia, Laura Jane, Lidia Pena, Luciana Salles, Luiz Alberto Guilhermino (KK), Rita Pimenta, Rosa de Fátima, Rosana Romero, Virginia Santos, Washington Araújo, Wellington Silva, Wilson Renato.
Meus amores:
“A partir de agora posso começar uma frase dizendo o velho chavão “no meu tempo…”. Vou aprimorar o hábito de contar “historinhas” do passado e, por direito adquirido, dar conselhos aos mais jovens. Nas rodinhas de amigos, quem sabe me torne referencial para fatos históricos oulembranças de datas importantes. Quando atender ao telefone, os amigos das minhas filhas irão me chamar de “tio” e certamente quando for abordado em qualquer esquina para dar uma informação serei chamado de senhor….”
Tive problemas com a Internet, mas quando o provedor voltou não me contive: apressei-me em agradecer o presente que recebi de vocês. Mas por favor, não exagerem mais….Felizmente meu coração continua forte, firme, se embala na cadência de um bom samba enredo, mas é humano e se emociona facilmente.
Quando fui avisado que havia um “pacote” na portaria não tinha a mínima idéia do que se tratava. Ao abrí-lo… uma caneta. Mas não uma qualquer e sim uma caneta tinteiro. Aliás, “no meu tempo” de estudante primário a gente sentava em carteiras duplas e havia um pequeno orifício no tampão para se colocar a tinha da caneta. Gostava de andar com os dedos sujos para mostrar que não escrevia apenas com o lápis. Depois, surgiram as esferográficas e os buracos se tornaram inúteis. Aos poucos, sumiu a tinta, as canetas tinteiro, e com elas foi se a caligrafia desenhada como uma obra de arte. Desde então, nunca mais tive um estilógrafo em meus manuais.
Além disso, meu pai era relojoeiro. Na vitrine de sua minúscula loja eu ficava encantado com aqueles peças capazes de desenhar, escrever, fazer contornos, rabiscos, mas acima de tudo, servir como ferramenta para contar histórias….Já adulto, ainda faço o mesmo quando deparo com uma vitrine ornamentada por canetas. Só que agora teclamos no computador… Vocês devolveram um pouco dos meus sonhos.
Prometo que vou aprender a escrever, afinal, ela, a caneta, exige talento, paciência, acuidade, firmeza. Ou seja, dedicação. E devo confessar que alguns desses atributos ainda não consegui aprender…
Apesar dos meus, agora, 50 anos.
Assinado,
René Ruschel













