Posts de Janeiro, 2007

René, vale o quanto escreve

Janeiro 31, 2007

rené 

É uma vez um menino chamado René Ruschel. Chegou há algum tempo, mais precisamente há 50 anos. A primeira caneta, que deu conta do surgimento de figura tão importante para os nossos dias que se seguem, foi usada para o seu registro de nascimento. Caneta histórica, essa. E como se escrevesse no ar com uma caneta imaginária, nosso herói, também conhecido pelo apelido de Neco, vive traçando sonhos. Estes sonhos são, na verdade, a realidade que cerca o René do sorriso fácil e do abraço amigo.

É verdade, ele escreve no ar com uma caneta invisível, mas tudo que deixa grafado na brisa se transforma na sua vida cotidiana. E vale o que está escrito. A vida, ele leva a colecionar mais amigos do que as inúmeras canetas que tem guardado. E não são poucas. Coleciona também bonés, mas isso já tem uma explicação mais plausível, pois a calva começa a se prenunciar e, prevenido como é, não quer queimar o couro já nem tão cabeludo. Agora, caneta para quê, caro René, se mais digitas do que escreves? Ah, já sabemos, é para dar os futuros autógrafos como o escritor famoso que vislumbramos.

Pois então, mais um ano foi escrito na vida prodigiosa do nosso herói René. Mais um ano em que ele escreveu nossa amizade com tinta não lavável, indelével. Homem das letras, nosso amigo Neco é mais popular do que a caneta BIC, embora tenha a elegância e o porte de uma Mont Blanc. Sua simpatia vem em todas as cores.

Ser seu amigo é saber que jamais dará uma caneta na gente (bola entre as pernas no jargão futebolístico. Viu leigos e leigas?). Ser seu amigo é saber que fomos ungidos por você, Neco. Esperamos que você viva o suficiente para utilizar todas as suas centenas de penas em autógrafos e em textos que sabe tão bem delinear. Escreva com tanta intensidade quanto escreve seus sonhos no ar.

Vida longa a você, Neco. E que nos reconheça nas imensas filas que formará num futuro próximo. Se formos reconhecidos, prometemos comportamento ímpar e par. Não furaremos estas filas, por mais quilométricas que sejam, mas que vamos contar muitas e boas nas rodinhas dos coquetéis, isso vamos. Pode escrever.

De seus amigos de sempre: Ana Miria, Ana Paula, Circe Brasil, Gerson Leal, karla Maia, Laura Jane, Lidia Pena, Luciana Salles, Luiz Alberto Guilhermino (KK), Rita Pimenta, Rosa de Fátima, Rosana Romero, Virginia Santos, Washington Araújo, Wellington Silva, Wilson Renato.

 Meus amores:

“A partir de agora posso começar uma frase dizendo o velho chavão “no meu tempo…”. Vou aprimorar o hábito de contar “historinhas” do passado e, por direito adquirido, dar conselhos aos mais jovens. Nas rodinhas de amigos, quem sabe me torne referencial para fatos históricos oulembranças de datas importantes. Quando atender ao telefone, os amigos das minhas filhas irão me chamar de “tio” e certamente quando for abordado em qualquer esquina para dar uma informação serei chamado de senhor….”

Tive problemas com a Internet, mas quando o provedor voltou não me contive: apressei-me em agradecer o presente que recebi de vocês. Mas por favor, não exagerem mais….Felizmente meu coração continua forte, firme, se embala na cadência de um bom samba enredo, mas é humano e se emociona facilmente.

Quando fui avisado que havia um “pacote” na portaria não tinha a mínima idéia do que se tratava. Ao abrí-lo… uma caneta. Mas não uma qualquer e sim uma caneta tinteiro. Aliás, “no meu tempo” de estudante primário a gente sentava em carteiras duplas e havia um pequeno orifício no tampão para se colocar a tinha da caneta. Gostava de andar com os dedos sujos para mostrar que não escrevia apenas com o lápis. Depois, surgiram as esferográficas e os buracos se tornaram inúteis. Aos poucos, sumiu a tinta, as canetas tinteiro, e com elas foi se a caligrafia desenhada como uma obra de arte. Desde então, nunca mais tive um estilógrafo em meus manuais.

Além disso, meu pai era relojoeiro. Na vitrine de sua minúscula loja eu ficava encantado com aqueles peças capazes de desenhar, escrever, fazer contornos, rabiscos, mas acima de tudo, servir como ferramenta para contar histórias….Já adulto, ainda faço o mesmo quando deparo com uma vitrine ornamentada por canetas. Só que agora teclamos no computador… Vocês devolveram um pouco dos meus sonhos.

Prometo que vou aprender a escrever, afinal, ela, a caneta, exige talento, paciência, acuidade, firmeza. Ou seja, dedicação. E devo confessar que alguns desses atributos ainda não consegui aprender…

Apesar dos meus, agora, 50 anos.

Assinado,

René Ruschel

Fundamentando

Janeiro 26, 2007

Sem desmerecer a fila do gargalo, a turma do fundão é sempre a mais criativa. Não importa se a garotada cursa o jardim ou pós-graduação, mas esta turma é o terror dos professores. E o pior para os mestres é que a moçada dificilmente tira notas ruins nas provas finais, mesmo que durante todo o período escolar as notas sejam sofríveis.

É uma diversão só. Eles fazem de tudo para chamar a atenção. Os da frente vivem com torcicolo, pois tentam ficar de olho no professor e nas palhaçadas do fundão. Este blog foi batizado de “Turma dos Fundos” não propriamente por estas características dos desordeiros e criativos freqüentadores dos bancos escolares, mas sim porquê a maioria dos integrantes é formada por comunicadores de entidades fechadas de previdência complementar, ou seja: fundos de pensão. Mas já foi constatado que todos os membros desta comunidade chafurdavam nos fundões das salas de aula.

Coincidência ou não, o que importa é que nossa emoção sobreviva, como disse o poeta. Estamos aqui colocando de pé um projeto de três anos que só não foi concretizado antes porquê falamos mais dos nossos sonhos do que realizamos.

Comunicadores têm a estranha mania de viver da profissão que mais gostam nem sempre fazendo o que gostam. Não é o nosso caso, mas escrever por diletantismo, mesmo não recebendo um centavo por isso, é muito gostoso. Este exercício é que azeita nossa máquina mental para que trabalhemos melhor na busca do vil metal (rimou). Que os demais internautas se divirtam, pois a nossa diversão já está garantida. Nós queremos é botar nosso blog na rua.

Editora
Uma Thurman
Editora de cabeças e textos

Vida a festejar

Janeiro 25, 2007

Circe Brasil
comunicóloga

 Era uma roda.  Não, não, na verdade, no início eram pessoas chegando, cumprimentando. Beijinhos pra cá, beijinhos pra lá, três para casar etc e tal. Meio sem saber o que esperar ou fazer, iam comendo os quitutes oferecidos pelas tias. Pizzas, salgadinhos vegetarianos, o robusto cachorro quente com muita mostarda e maionese e aqueles bolinhos de queijos de deixar qualquer um carregado de culpas. Qualquer um, menos os convidados daquela festa.

Pessoas lindas, de bem com a vida, nem as tias pareciam tias e quando a Vó chegou parecia uma guria. Afinal o psiquiatra, o advogado, o veterinário, os biólogos, artistas e outros maluquinhos, inclusive os da comunicação, são pessoas que apreciam a vida com entusiasmo. Por isso, muito à vontade estava a Laika*, abanava o rabo e se grudava nos convidados com o imenso olhar pidão. E ganhava. A Laika aqui, acolá, pulante, esfregante e saltitante. A festa estava pronta com gatinhas circulantes.

Álcool, só na limpeza dos copos. Drogas, nenhuma, tudo deliciosamente saboroso. Também, nenhuma bomba, nem a proximidade com a piscina e os espetos para churrasco, eram sinal de perigo. O perigo foi a introdução dos violões, aí sim, a roda se formou e o som provocado pelo dedilhar atraiu os demais, como um motim.

Garotas novas na praça ouviram pela primeira vez melodias inacabadas. Criadas no ímpeto juvenil, no fervilhar da inconstância, no degustar do sacolé e das brincadeiras com o seu Tinoco. Quem não lembra, quem não criou, quem não cantou ou ouviu o coral clamar?

Dos presentes, poucos. Mas todos riam, cantarolavam e se divertiam saborosamente na deliciosa companhia armada.

Na mesa, o café, o docinho e o indispensável licor. E, depois de muito festejar, o pessoal foi saindo sem conta se dar. Cada um foi para o seu canto. O doce da vida está em viver entre amigos.

* O nome é fictício para evitar cachê ou processos do cão.

Cristo, não perca a cabeça!

Janeiro 18, 2007

Washington Araújo, jornalista

cristo redentor

O Rio continua lindo, mas tem muita gente perdendo a cabeça.

Lerdox

Janeiro 15, 2007

Washington Araújo, jornalista

 Não sei vocês, mas eu não me dou bem com esta tal de tecnologia. É tudo uma mega baita de uma enganação. Não há modem que suporte. Tenho banda larga, mas a minha paciência está curta. Explico: troquei o processo lento, a internet a lenha, pela tecnologia de ponta. “É só ligar o micro, conectar e pronto: o mundo da internet está aos seus pés ou às suas mãos”. Isso é o que diz a propaganda, mas, infelizmente, o mundo real não tem as qualidades do virtual.

A empresa de banda larga que contratei vive em manutenção. E o pior: fica fora do ar à noite, entre as 20 e às 24 horas. Justamente no horário que utilizo a Internet em casa. Assim, a minha paciência é que chegou a um nível tal de fadiga que, logo, logo vai para a manutenção também.

Outro dia, domingão de chuva, trabalhei com a Internet durante um bom tempo, até esqueci de momentos infelizes que já vinha tendo com o meu (deles) sistema lerdox. Sai e voltei, liguei o micro e nada de conexão. Telefonei e, depois de conversar com aquelas moças eletrônicas durante cerca de 20 minutos, fiquei sabendo que a empresa estava em manutenção e que o contato com o imprescindível mundo virtual voltaria às 23h30. Isso era oito e meia da noite. É Fantástico.

Por volta das 23h35, já meio tonto de sono, liguei meu micro e….. nada. Condescente e sonolento, fui dormir. Me dei mal, pois meu cérebro resolveu também entrar em manutenção (isso acontece com mais freqüência do que o sistema Lerdox) e a insônia me pegou. Não teve carneirinho e nem teclado que me fizesse dormir. Ainda bem que um bom livro de cabeceira é o mais fiel serviço a que você pode recorrer numa noite dessas. Não falha.

Acordei de manhã, com o peso da insônia nas costas, fui trabalhar. A noite chegou, que bom. Corri para o micro para espairecer. Mas sabe quem estava descansando ainda? Adivinharam, a minha (deles) banda larga. Ou estreita, sei lá. Liguei de novo para as moças eletrônicas. Aperta daqui, tecla de lá, confirma o nome ali, dá o endereço acolá, CPF, RG, PQP, número do atestado de óbito… pronto: localizaram os meus registros. Sem novidade, disseram que o sistema estava em manutenção, mas que voltaria às 22h30. Isso eram 20 horas.

Meu Deus eletrônico será que vai se repetir tudo? Não deu outra. Ás 22h35 começo a tentar falar com as moças que, a esta altura, já eram minhas íntimas. Só faltava eu convidá-las para um chopinho e ouvir: aperte 1, para fritas; 2, para caipirinha; 3, para mãos nas coxas; 4, para beijo de língua e 5, para motel.

Depois de tanto teclar, aparece um moço (epa!). E este me pede para tirar um cabo e enfiar ali, outro enfiar lá e o outro conectar em… Estava quase mandando ele introduzir, quando me disse que, em minutos, minha conexão poderia ser feita. Feliz em não tê-lo mandado para aquele lugar, agradeci. Esperei, 30, 40 minutos e nada.

Liguei de novo. As moças eletrônicas já estavam me cansando, não queria nem chopinho com elas, quando uma real entrou na ligação. Aquelas moças que não conhecem, mas abusam do tal do gerúndio. Vocês sabem, tem sempre uma por perto para gerundiar da gente. Identificou-se, externou seu prazer em “estar falando” comigo, e começou a ladainha do “senhor vai estar tirando um cabo dali e vai estar colocando lá”. Ainda bem que com ela minha mente viajava melhor neste processo de entra e sai, tira e põe.

Mas, de nada adiantou. Quase meia noite, a moça me fez uma proposta indecorosa: “por favor, o senhor pode estar aguardando uma hora, pois a gente vai estar entrando em contato com nossos serviços para estarmos tentando resolver seu problema?” Problema meu, veja bem, não deles. Se pelo menos mandassem uma integrante de serviço de acompanhante…

Desabafei, contei tudo que tinha que contar, que precisava acordar cedo no outro dia, mas que tinha um trabalho na Internet. Enfim, depois de desfiar minha via sacra, implorei o envio de um técnico para, de uma vez por todas, resolver o meu (deles) problema. A moça contra-atacou: “se estarmos enviando um técnico, teremos que estar cobrando”.

Me entreguei. Quase uma da manhã, sonolento, preferi desabafar com vocês, contando os minutos para o tempo que a moça disse necessário para “estarmos conectando”. Sem Internet, pelo menos, posso teclar com a parte que ainda funciona do meu micro, o word. Ah, a conexão voltou…. por cinco minutos.

No outro dia o fato se repetiu, ficaram de mandar um técnico para a minha casa. Expliquei que moro sozinho, trabalho durante o dia e que seria melhor o técnico “estar me contatando” para “estarmos agendando” uma visita. O atendedor disse que seria feito desta forma. Não fez. Me ligaram dois dias depois, de manhã, dizendo: “Senhor, o técnico esteve passando na sua residência e o senhor não estava ficando…” Meu Deus, chega, devolva a minha Remington.

Privilégio

Janeiro 10, 2007

Circe Brasil
comunicóloga

 Na posição de Analista de novas oportunidades no mercado de trabalho, diferentemente do que eu pensava, não é de todo ruim estar sem emprego. Tem lá seus privilégios, a fome zero que o diga.

Não estando empregado você adquire tempo. E tempo é dinheiro, dizem os filósofos, os correntistas das palavras. Você tem tempo para ficar uma hora e meia na fila de espera do banco do estado pra saber o saldo do fundo de garantia, que não fica assim tão disponível como você necessita, mas tem tempo. Você tem tempo para ir e vir e ficar duas horas na fila de espera do Sine para solicitar o auxílio desemprego. Você tem tempo para dispor toda uma tarde para confeccionar um novo RG. Sim, pois sua identidade não é mais a mesma, veja a foto..é hora de tirar o sorriso intrínseco. E nesta nova condição, você está isento da taxa e não vai ser bobo de não aproveitar, vai???

É verdade, você não precisa pagar em moeda pelo sofrimento da espera. E mais, também não precisa pagar imposto de renda, pelo que não recebe. Que barbada.

Você fica mais verdadeiro, pois torna seu choro, mais verídico na hora da negociação de contratação de serviços. É só dizer: estou desempregada, não posso assumir tal gasto. Ligeirinho eles baixam o lucro. Pessoas boas, solidárias. O risco é quando não querem receber em espécie. Por um lado, fica o consolo que sua aparência ainda vale algo no mercado paralelo, mas destes privilégios poderemos tratar em outra ocasião. Voltemos ao peso real da moeda falida. I en falar em moeda, o dinheiro é uma viagem, você reserva, corre atrás, controla o time, acomoda no fundo, não dorme, sente-se ansioso e não vê a hora da chegada de um novo trem bom.

Quero sim, continuar tendo tempo valendo muito, valendo dólar, valendo ouro, euro, ien…Well, espero não ter sido muito convincente dos privilégios do desemprego e ter lhe provocado inveja. O que eu queria, era só lhe mostrar o outro lado da moeda.O lado real.

Não, não, não estou aplicando!

Vende-se problemas por motivo de tranqüilidade

Janeiro 3, 2007

Luiz César Cabral de Menezes, publicitário e designer 

Abacaxis
Quando vi esta cena na Rua Jardim Botânico concluí
que não dá para encarar uma concorrência dessas.