Posts de Maio, 2007

O Prio do Fobre

Maio 28, 2007

Circe Brasil
comunicóloga

O frio é invenção para os ricos. Frio é que nem o petróleo, coisa da natureza explorada, para explorar. Uns povos têm mais que outros e os que têm cobram caro pelo uso.

Viver o frio sem um ardente ar-condicionado, sem um estufante casaco de visom, sem botas forradas e de cálices vazios, não é viver, e sim sobreviver ao frio, ou morrer de frio.

O frio pede lareira, bebida quente, forno potente, comida escaldante, luz abundante e quando não se tem alguém aconchegante, vale um livro arrepiante. O gelo tenciona, oprime, aprisiona e da calafrios. E a farmácia, nossa, essa é enervante.

O frio foi criado para quem tem crédito com o Papai Noel, quem possui confortadores abrigos, generosos amigos e fartas contas bancárias. Pelado não se cria no frio. Umas luvas de pelica são os olhos da cara, um cashmere é inviável e água quente nas torneiras é só para quem tem gás nos canos.

O frio entorpece, desfalece e enfraquece. É anticorpo, as maças do rosto racham, a barriga da perna fica com câimbra, o peito do pé murcha e as meninas dos olhos lacrimejam. A boca cerra e os dedinhos encolhem. E não há letrinha que aqueça a sopa sem um bom cobertor de orelhas ou pé de porco.

Cadê os ursos e onças pintadas para aquecer as nossas costas e os coelhinhos nossos pés, cadê? Os cuscos choramingando só nos deixam de cabeça quente. E os bem-te-vi que não cantam mais por aqui, congelaram? Pobre viver frio é antever a morte sem lápide.

Brhummm, o fobre no prio é rico em falta de ar e muito espirro, Atchim…tô quentinha nas têmporas, vou procurar uns jornais e um foguinho no cantinho na ponte.

Circe, a nossa estrela

Maio 8, 2007

Circe Brasil

Um passarinho me mandou a relação de acontecimentos históricos que se deram em 08 de maio. Li ali a morte de alguns políticos e escritores famosos, o nascimento de outros tantos, mas o que me chamou atenção foi que num 08 de maio de uma década florescente, embora com alguns fatos nem tanto, nasceu a nossa BMP – Bela Musa dos Pampas. Neste dia surgia para o mundo a Circe.

Na década de construção de Brasília, do surgimento da bossa nova, da consolidação da Revolução Cubana, da corrida espacial, do movimento estudantil para protestar contra os desmandos que também surgiram, do tropicalismo, da jovem guarda, dos festivais, do auge do grande Santos Futebol Clube, de Pelé e companhia, nasceu a Circe.

Embora humilde, a Circe nasceu para brilhar. Os textos dela são aqueles que nós gostaríamos de ter escrito. Escreve como quem faz as coisas mais prosaicas, do tipo subir num ônibus. Mas o que ela faz com suas palavras é totalmente inebriante. Não é a toa que é conterrânea de um Luiz Fernando Veríssimo e de um Mário Quintana e irmã siamesa de estilo da Clarice Lispector. Econômica no número de palavras e esbanjadora no significado delas. Significado que entra em nossas almas.

Parabéns, Circe, somos todos seus fãs. Continuamos na torcida para que um dia um grupo bem maior de pessoas possa ter o privilégio de ler suas crônicas. Não somos egoístas. Mas só queremos a prerrogativa de afirmar ao mundo que nós estamos entre primeiros a deliciarmos com o seu texto e dos muitos que desfrutam de sua amizade.

Ana Miria, Ana Paula, Gerson Ponto G, KK, Karla, Laura Jane, Lidia, Luciana Salles, René, Rosa, Rosana, Virgínia, Washington, Wellington, Wilson.

O Santos, sempre o Santos

Maio 7, 2007

Washington Araújo, jornalista

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Eu, Vinicius (o sortudo) e meu irmão, Lula; a torcida num Morumbi lotado e no aeroporto, com um santista da torcida bebê e o pai, que veio do Mato Grosso só para o jogo.

“O Santos está jogando muito hoje”. – Padrinho, este é o Santos que conhecemos -, a resposta do meu afilhado, Vinicius de 12 anos, em meio aos 59 mil torcedores que lotaram o Morumbi no domingo, me deu mais ânimo para acreditar na conquista do título. Até aquele momento, no meio do segundo tempo, o Santos ganhava de um a zero do São Caetano, sufocava mas a bola não entrava. A gente precisava de mais um gol para sair dali com o título. A torcida não desanimava, todos sentíamos que o gol estava para acontecer a qualquer momento. E aconteceu. Foi um grito só! Uma alegria que estava sufocada há semanas.

Mais tarde, já no aeroporto, fiquei pensando: feliz é o Vinicius. Com oito anos o garoto já foi campeão brasileiro; com nove, vice-campeão da Libertadores; aos 10 campeão brasileiro novamente; com 11 campeão paulista e, agora, com uma dúzia de anos, bicampeão. Nasci numa época áurea do Santos. Na década de 60 vivi meus primeiros dez anos com o peixe campeão de tudo quanto era campeonato que participava. Pelé e companhia arrasavam. Mas aí eu era um lambari, lembro de pouca coisa. Nunca fui a um estádio com o meu pai. O que me consolava era o rádio de pilha que ele ficava ouvindo. Eu, de carona, vibrava com as famosas tabelinhas Pelé e Coutinho que encantaram o mundo. Mesmo não sabendo direito o que significava a palavra tabelinha, me arrepiava todo com o grito de gol do narrador. Muitas vezes meu pai dormia ouvindo o jogo (ele diz que era rotina o Santos jogar bem e ganhar e isso não lhe fazia perder o sono) e sobrava para minha mãe, que contava no noutro dia o resultado e quem tinha feito os gols.

santos final

Mas depois, quando comecei a me entender por gente, na década de 70, o meu Santos não ganhou nada. A não ser um título dividido com a Portuguesa, pois o Armando Marques errou na contagem dos pênaltis e o Santos foi prejudicado. Mas demos alguma alegria à “burra”. Mas alegria, alegria, só na Copa do México. Eu tinha 12 anos, a idade do Vinicius. Depois fui saber o que era um título só em 78, já com vintão nas costas. E foram pingando uns títulos até 1984. Depois, uma seca total. Só em 95 é que fomos para uma final. Eu já com meus 37 anos, tomando gozação de corintianos, são-paulinos, palmeirenses me enchi de esperança. Esfreguei tanto as mãos que sumiram algumas linhas, talvez até a de uma vida mais longa. Um árbitro mal intencionado jogou por água abaixo minhas esperanças. Não é choro de perdedor, não. Tanto que a torcida do Internacional sentiu o gostinho da safadeza deste árbitro chamado Márcio Resende. No ano passado ressuscitaram o homem só para roubar o colorado contra o Corinthians.

Depois deste roubo, mais uma fase de seca, mas quando chegou 2002 choveu e como choveu no nosso mar. Robinho e Diego chegaram para a nossa alegria. A história todos conhecem, já até contei acima ao falar da sorte do meu sobrinho afilhado. Aliás, que sortudo este garoto. Tomara que a sua sorte continue para que ganhemos mais e mais títulos e vejamos o Santos jogando como sempre. Não é Vinicius?

49 para 50? A gota d´…

Maio 3, 2007

de 49 para 50

Neste mundo desequilibrado pelo impacto ambiental já não me surpreende a condição alarmante do nosso amigo Washington. Ainda assim, torço para que o seu quadro nunca seja revertido. Imaginem se ele muda! Quem vai trazer, dentro de sua caraterística alegria, a badalação das noitadas sem fim, temperada pelo papo inteligente e extrovertido que desafia uma dose a mais e mesmo assim permanece com o bonde nos trilhos?

Se o mundo está carente de água, faço esta imediata convocação! No clamor do dever preservativo-ambiental é chegada a hora de todos juntos cumprirmos a nossa parte! Solidários ao “Uóstinho” só entornaremos daquela que passarinho não bebe, prontos para comemorar suas 49 primaveras, antecessoras de muitas outras…

Luiz César Cabral de Menezes, publicitário e designer