
Vamos contar aqui a história de um celularzão, imponente, com jeito de durão, que se dizia eficiente, cumpridor. Não falhava nunca, dizia ele.
E assim ia vivendo este celularzão dos tempos áureos, daqueles cujo tamanho não dá para disfarçar. Na sua época não existia esta coisa de vibrador, não. Também com aquele tamanho e barulho todo, para que vibrador?
Na verdade vibrava tanto que até as mulheres que nele seguravam “ficavam extasiadas”, recorda o nostálgico aparelho. “E o que elas falavam, então, era de deixar qualquer um mudo”, diz o convencido celularzão, que acrescenta: Elas falavam por experiência, segurando firme, bem no meio”.
Mas o tempo foi passando e o celularzão começou a cair, a perder a memória. A linha caía, falhava nas horas mais necessárias, enquanto seus oponentes mais jovens surgiam ameaçadores. Menores, é verdade, mas muito mais eficientes e com muito mais recursos. Não se contentavam como papai e mamãe, não. Variavam bastante. Faziam de tudo e tinham vibrador. Um grande referencial.
As usuárias, cada vez mais exigentes, trocavam de aparelho periodicamente. Aparecia um que fazia algo que o outro não fazia, pronto, o atual já ficava obsoleto. E o celularzão ficava cada vez mais para trás (opa!).
E assim foi ficando triste o nosso celularzão, cabisbaixo, molenga, sem atrativos com a vida. Mas um dia surgiu uma nova bateria. Uma bateria revolucionária. A partir deste dia, as usuárias voltaram a preferir o celularzão, conforme seu depoimento. Afinal de contas, tinha a agilidade dos pequenos, mas com um porte físico de meter inveja nos moderninhos. E quando ligavam ele até cantava como se fosse Djavam cantando “Sina”:
Papai e mãe
No couro assina
Celularzão
Desejo da mina
Tudo o mais
Dura platina maissss
Tocarei seu nome
Sou um celular de amor
Minha princesa
Sei que eu sou um pé de mesa
Tudo o mais
Dura platina maissss
Seduz e dá um grande prazer
É irremediável com o som
Quando o grito do prazer
Açoitar o ar, Wellington
Sou celular, vem me dar
Sou o bom
Quiçá um dia
A fúria desse dom
Virá vibrar no sonho
Até gerar o som
Como querer me segurar
O que há de bom.
Wellington: sabemos que tudo isso acima é um conto de fadas (não vale trocar o primeiro A por O, não), mas o que temos certeza também é que você é um cara very well, com um grande, mais grande mesmo, põe grande nisso, coração.
Feliz aniversário, amigão, que seu coração continue ditando a sua trajetória. E continue fazendo propaganda do celularzão, quem sabe alguém se liga?
Ana Miria, Circe, Gerson (Ponto G), Karla, Laura Jane, Lidia, Luciana, René, Rita, Rosana, Rosinha, Virginia, Wilson Renato, Washington











