Lidia Pena
jornalista
“Ação de criar, ação de fazer, Ação cidadania fazendo acontecer”… Este refrão do happy cantado a ritmo de palmas cadenciadas pelo público que lotou o teatro SESC Ginástico, na noite de 21 de agosto, dá a dimensão exata do trabalho realizado por Mauricio Andrade à frente da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, depois que Betinho se foi.
Agora, o pernambucano, e cidadão fluminense, Mauricio Andrade, também partiu, mas seu sonho em transformar a vida dos excluídos em festa, trabalho e pão vai continuar na garra dos inúmeros comitês de Ação da Cidadania, espalhados por todo o país e que se fizeram representar com sincera emoção na justa homenagem preparada por diversos amigos de Mauricio, de sonho e de trilha, no centro do Rio.
Coordenado por Bia Lessa, o evento reuniu gente de várias tribos e foi apresentado pelas belas e engajadas atrizes Dira Paes e Mariana Ximenes. Nos textos lidos e nos falados pelos autores presentes, a saudade de Mauricio era retratada pela sua incrível capacidade de sonhar e de buscar parceiros que ajudassem a sua luta a se perpetuar e a dar bons frutos, como a mesa farta montada anualmente para os humildes em tempos de Natal, no Aterro do Flamengo. (Ali, não por acaso, ele quis afetuosamente que fossem jogadas as suas cinzas).
Assim, parceiros como Ziraldo, Bruno Vilas Boas (diretor do Sesc Rio), Luiz Erlanger (diretor da TV Globo), representantes dos ministérios do Desenvolvimento Social e da Cultura, além da filha Carol e de lideranças surgidas do povo no intenso trabalho da Ação da Cidadania, entre outros, reconheceram em seus emocionados depoimentos o importante papel deste guerreiro brasileiro na luta por um país mais justo, mais ético e fraterno.
E Mauricio também foi cantado em belos versos do violonista Marcos Lucena. E foi lembrado num vídeo que mostrava o seu jeito ativo e dedicado de ser, o bonito e diversificado espaço em que se transformou o galpão da Ação da Cidadania na zona portuária do Rio, o seu desejo de saciar não só a fome do pão como também a do livro – sua última e grandiosa paixão, a de fazer chegar boa literatura aos recantos mais desprovidos do país – e que revelava, por fim, o seu largo e cativante sorriso, diante do qual, segundo tantos testemunharam, era impossível dizer não.
Mauricio Andrade vive!
OBS: Conheci o Mauricio na militância da esquerda carioca. Sempre doce e firme! Várias vezes nos esbarramos nas mesmas causas. No Natal de 2006 o encontrei no Largo do Machado na atividade de recolhimento de livros. O corpo abatido pela doença, mas a fala empolgada de sempre. Nos despedimos com um forte abraço que, lamentavelmente, seria o último.












