Circe Brasil
comunicóloga
Outro dia vi na rua uma cena que me despertou de pensamentos vazios e me comoveu. Na cena vi atitude, vi manifestação, vi protesto e imposição. Vi desenvolvimento e responsabilidade pessoal.
Um casal jovem caminhava pela calçada conversando informalmente quando o rapaz dá um daqueles tapinhas na nádega da garota, imediatamente ela se volta pra ele com um supetão no pé da orelha. Quem disse que tapinha na bunda não dói?Os ativistas deste desfrute alegam ser um gesto carinhoso e cheio de boas intenções. Também ouvi isso na implantação e nas extensões da CPMF: É para ajudar na saúde. Pode? E pergunto, de quem? Enquanto isso os gestos bem intencionados e unilaterais apelativos vão se estendendo e massificando, ficando. Politicamente incorretos e permanentemente prescrevem com o provisório. Se este gesto que arrecada em torno de 38 bilhões de reais, tem boas intenções com a saúde, por que o SUS está perto de dar o último suspiro? É por isso que fico doente com esses e os outros gestos apelativos em público. Não acredito em atos nobres que venham me tapear.
E o que vi na rua, foi um gesto aprendido na infância e repetido por toda a vida como um inocente ato, mas de puro domínio do rapaz. Só porque predestinaram que ser criança ou mulher é ser o lado mais fraco, menor, frágil e oprimido, devo ser? Nunca. Tenho poder pela vontade, coragem, dignidade e liberdade para me proteger e reivindicar ser tratada com o respeito e a cortesia que mereço.
Mas vivo num mundo de humanos desiguais que fazem questão de manter gestos de dominação e poder, com estes tapinhas em público. Como se assim dessem recado aos seus iguais, de sua condição quanto àquela presa. Ora, ora, o tempo passa, mas as artimanhas de demarcar espaço são as mesmas em todos os viventes.
Que fique bem claro entre nós, não sou antipartidária e arisca a carinho e manifestações mais audaciosas entre os íntimos, aliás este capítulo é profundamente interessante e deve ser tratado com muita ousadia na intimidade, mas na intimidade, pois em público, pra mim é troçar.
Sabe aquela coisa de quando se é adolescente e inseguro e não se sabe onde colocar as mãos diante dos outros, pois é, tem gente que está crescendo e continua colocando a mão em lugar errado, só por/ou/pela insegurança. E ficam aí, tapeando os outros.
Está na hora de mudar. Pense comigo…Tapinha na bunda levava a sua avó.











