Posts de Janeiro, 2008

O Rio de Janeiro continua lindo

Janeiro 22, 2008

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Num fim de semana de blocos carnavalescos, roda de samba e muita chuva, sob as bênçãos de São Sebastião do Rio de Janeiro, começou a contagem regressiva para o carnaval. No dia 20 de janeiro, quando se comemora a data do santo padroeiro da cidade, a livraria Folha Seca, especializada em livros sobre música e futebol, festejou quatro anos de existência com uma roda de samba.

Muita gente abriu mão da praia e de blocos que cruzavam a cidade para ir à parte da Rua do Ouvidor onde ainda sente-se a presença de Machado de Assis. Fechada para carros, Ouvidor no trecho à direita da 1º de Março ainda exibe palacetes antigos e igrejas históricas.

E foi neste ambiente que o povo caiu no samba, olhando para o céu, não para reverenciar São Sebastião, mas para pedir clemência a São Pedro. Até que ele deu um tempinho de duas horas para que o som ficasse afinadinho e o público se encharcasse de cerveja gelada. Depois São Pedro pediu licença para o seu colega de ofício e mandou água sobre a cabeça da galera.

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E o samba comeu solto, com água e tudo. A única preocupação da moçada: “cerveja aguada, não”. Com os copos tampados, o samba no pé, a moçada até se esqueceu da chuva. E foi assim que o Rodrigo e a Dani (patronos da Folha Seca) sentiram-se abençoados com a lavagem da livraria por São Pedro e São Sebastião.

E por falar em santo, continuamos nossa via nada sacra, indo para a Praça São Salvador, onde o bloco “Bagunça o meu coreto” também não dava bola para a chuva, aceitando-a como um refresco para o forno que tem se transformado o Rio de Janeiro nos últimos dias.

Como sócios beneméritos do pé sujo mais bem freqüentado do pedaço, conseguimos uma mesa entre os carros, comemos um queijinho buscado em casa, e dá-lhe cerveja.

Devidamente inundados, só restou aos bebuns comerem uma matilha de cachorro quente e se recolherem. Afinal de contas, a segunda-feira, mesmo no Rio de Janeiro, é implacável. Salve São Sebastião. São Pedro seu dia chegará.

Washington Araújo, jornalista

O Rio de Janeiro continua sendo

Janeiro 22, 2008

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Entre um bloco e outro do animado pré-carnaval do Rio, no último domingo, uma roda de samba de respeito era de lei. Em pleno centro, na tradicional rua do Ouvidor, na porta da charmosa livraria Folha Seca, que vem dando enorme contribuição à vida cultural da cidade, compositores geniais como Paulinho da Viola, Silas de Oliveira e Cartola eram reverenciados a plenos pulmões. Magia pura naquele recanto marcado por antigos casarões, onde também se encontra a bela igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, fundada em 1747.

Ali, não ficava difícil imaginar que naquele chão, em algum lugar do passado, escravos tivessem feito algum batuque em momento de resistência. O clima de boa nostalgia misturado ao cheiro da chuva que caiu forte no fim da tarde era o cenário perfeito para aquele grupo de músicos, jovens em sua grande maioria, carimbar o valor da melodia em detrimento de outros hábitos esquisitos que costumam ter, infelizmente, certos jovens da Barra da Tijuca, principalmente.

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Em torno da roda, gente de todas as idades e profissões cantava com a mesma alegria sambas que homenageavam as escolas de raiz, fosse o Império Serrano ou a Mangueira ou a Portela. Ali, como dizia o inesquecível samba enredo da Verde e Rosa, em 1967, “tudo era maravilha, tudo era sedução, quanta alegria e fascinação”…

Quem viu, viu, quem não viu perdeu e São Sebastião do Rio de Janeiro, em seu dia, certamente sorriu!

Lidia Pena
jornalista

Moço me dá um…

Janeiro 16, 2008

Cenas urbanas. Tomo café todos os dias numa confeitaria perto de minha casa. Já se tornou rotina há quase cinco anos. É o momento para ler um pouco, olhar o cenário em volta no bairro do Flamengo, ver pessoas no caminhar lento de quem curte a paisagem e rápido de quem vai para o trabalho. Foi neste local que li ontem uma crônica de Clarice Lispector, escrita no início da década de 70. Nela, a mulher que escrevia com a alma, contava que estava numa confeitaria quando chegou um garotinho esfarrapado e pediu: “moça me dá um doce”. Monossilábica, tirada do mundo dos pensamentos onde estava, só perguntou qual o doce e pagou. Ficou constrangida com a cena e com o seu automatismo, se perguntando se ficara constrangida em ver uma criança naquelas condições ou se estava envergonhada por tentar resolver toda a miséria do mundo pagando um doce para uma criança pobre.

Hoje, na mesma confeitaria, nem abri o livro quando ouvi: “Moço, me dá um pedaço de bolo”. Não era uma criança esfarrapada, mas com roupa suja, com cerca de oito anos de idade.

Eu, que como um pão de queijo, uma média e suco de mamão com laranja rotineiramente, afirmei, depois de alguns segundos absorto, que só pagava um pão de queijo. O menino olhou para baixo e se voltou para mim, resignado: “Tá bom”. Repentinamente, retrocedi e falei que ele poderia escolher o pedaço de bolo. O olhar foi outro, brilhante, acompanhado de um belo sorriso: “Obrigado moço”. Quem sou para me comparar a Clarice Lispector, mas só lembrei que entre o doce dela e o meu bolo passaram-se mais de trinta anos.

Washington Araújo, jornalista

É incrível mesmo, Washington, os anos passam, mas determinadas (e tristes) realidades não se alteram. Também vivo situações semelhantes volta e meia. Perto do Natal, naquela semana de muita chuva, entrei numa loja de doces e biscoitos aqui na Voluntários da Pátria, perto da minha casa, e já estava na caixa quando um menino magrinho, talvez com uns 10 anos, chegou com um pacote fechado de paçocas e com um sorriso irresistível me pediu: moça dá para comprar pra eu vender no sinal?

Comovida, imediatamente disse que sim e lhe desejei boa sorte, um tanto angustiada por só me restar lhe dizer aquilo naquele momento. Assim que ele saiu, a moça da caixa abriu um largo sorriso e me disse, Deus lhe abençoe, esse menino é do bem, está sempre aqui tentando conseguir as paçocas para vender, mas nem sempre é bem sucedido. Saí com uma imensa vontade de chorar e o sorriso cativante daquele menino franzino tilintando na minha memória.

Lidia Pena, jornalista

Leio estórias emocionadas de ações de doações a pessoas carentes, neste período de festas. Não lembro de nada que possa contar por sempre ficar muito indignada pela forma alheia com que nos mantemos, diante de tantas desigualdades. O que fazer para mudar? Como erradicar a hipocrisia? Como evitar as lágrimas nos olhos perante cenas de descaso e oportunismos. Não queria mais lagrimejar por isso. Quero muito viver para chorar intensamente de alegria, no dia em que eu andar pelas ruas e não encontrar pessoas pedindo o que comer, pedindo dinheiro ou agasalho. Ou até, oferecendo coisas por qualquer coisa.

Quero chorar por não ver alguém sendo mal tratado ou agredido por ser julgado marginal, invasor ou doentiamente mal. Quero chorar por sentir que as pessoas se olham com respeito e se tratam por igual. Quero me derramar em lágrimas por sentir que tudo que temos e tudo o que sabemos pode ser compartilhado com dignidade por seres humanos, humanos e confiáveis. Quero soluçar por me sentir uma parte de todas as criaturas viventes e de todo sistema consciente de que o ar, a água, o sol e o solo não pertencem a ninguém e são harmoniosamente receptivos a todos.

É possível, eu acredito. É possível, eu sinto, é possível e hoje eu choro por tentar. Sofro por não desistir, sou punida por não aceitar e padeço por crer que é possível e por ora sentir-me só. É uma solidão metafórica, pela vastidão deste mundo. Mas teimo, que é possível viver com qualidade compartilhada sem ter que conviver com a competição medíocre, egoísta, narcisista e ambiciosa dos seres selvagens que ainda somos. Quero, ainda, chorar muito de alegria de ser gente e estar em torno de todos, gente.

“Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração. ‘

Carlos D Andrade (contribuição de Washington Araújo)

Circe Brasil, comunicóloga

Rap da Tufu

Janeiro 10, 2008

2008

Fogos no ar, luzes, cores, sorrisos, brindes, vamos comemorar o aniversário do nosso blog. Ele completou um ano em dezembro, mas como fica difícil comemorar mais coisa neste mês tão etílico e festivo, comemoremos agora um ano de nascimento de nosso querido arauto eletrônico.

A turma se juntou
Todo mundo falou
E o blog começou

Com arte do Cabral
Descobrimos a nau
E entramos no canal

As tiradas de cigana
Da nossa Rosana
Com a risada da Ana

O jeito gostoso da prosa
Deixa a gente melosa
Igual a meiga Rosa

Das minas veio a Vi
De onde chegou a Ri
Também tem a Lily

E Lily tem Ponto G
E a alegria do René
Todo mundo a escrever

Laura Jane dá calor
Folgado que sou
Peço um ventilador

Sorriso do Rio da Lu
Sem rima para tu
Mesmo sendo zona sul

Meu blog tá porreta
Mas cadê a Loreta
Que rima com violeta?

Como é justa esta saia
Quero mais é que caia
Com a loiraça Karla Maia

Onde foi o nosso Well?
Cobra Lídia dos olhos de mel
Sem ele, blog no beleléu

E o nosso Uilsim
Com a cabeça em Brumadim
E no João Pedrim

O blog está em paz
A Circe sabe o que faz
Um livro que é demais

Ela nos deixa de quatro
Não tem desacato
Ficamos de barato

Chega de comemorar
Inchado o blog vai ficar
mas me lembrei do KK

Para finalizar, em suma
Um beijo na nossa Thurman
Bela e gostosa Uma

Washington Araújo, jornalista

Causos de final de ano

Janeiro 3, 2008

De flores e curativos

Último dia de 2007, duas e meia da tarde, sol escaldante lá fora, ar refrigerado numa farmácia do Flamengo, Rio de Janeiro. Estou comprando meus últimos suprimentos para entrar em 2008 sem dor de cabeça, já que não comprei o suficiente para as noites anteriores e minha “cachola” estava pagando por isso. Ao adquirir meus envelopes de Engov ouço uma voz: “moço, o senhor tem um pedaço de esparadrapo?”. Não. Foi o que respondeu de pronto o balconista. Até processar o diálogo na minha combalida cabeça ressacada, o rapaz que solicitou o pedaço de curativo já estava saindo da farmácia.

Acompanhei seus passos claudicantes e vi que parou atrás de um monte de flores e ali sentou. Comprei uma caixinha de band-aid, por R$ 1,29, tirei dois e levei até o vendedor de flores que sofria com o sapato apertado. Vai saber quanto tempo não usa um calçado novo? Entreguei os curativos e ouço um muito obrigado, além da oferta de flores. Poderia pegar as que eu quisesse.

Encabulado, não querendo dar muito prejuízo, pego um botão de rosa vermelha, mas este traz outro enganchado pelos espinhos. Tento soltá-los, mas ouço o rapaz: “Pode ficar com os dois e feliz ano novo”. Certamente, os dois botões custavam bem mais do que a caixinha de esparadrapo, da qual só subtraí dois curativos e fiquei com o restante.

Saio, com cara de bobo alegre, ostentando as duas rosas, com espinhos e tudo. São estas rosas que ofereço a vocês.

E 2008 começou.

Beijão,

Washington Araújo, jornalista

Meninos Jesus

Os anjos estão por aí. Tb tomam engov no espaço terreno. Todos nós somos abençoados por termos alguns deles entre nossos amigos.

Ki bom começar 2008 com esse sinal. Que as rosas exalem o carinho que temos por ti…

Sabe, numa noite de Natal estava saindo da casa dos meus pais, em Santos e socorri uma menina que estava trancada na quitanda da esquina. Precisei chamar um homem forte como vc, arrombou a porta e levei a garota pro hospital. Estava tendo bebê. Não deu tempo, nasceu no meu carro mesmo, fiz o parto ali dentro e quando vi aquela coisinha a enrolei na única coisa que tinha por perto: minha camiseta, do avesso. Imagine a cena na hora que chego de peito de fora na porta da santa casa, cordão umbilical sem cortar… enfim, uma doideira.

Quando cheguei em casa a turma disse que as confusões me atraíam. Aí meu pai nordestino, um cara super gente fina, que deve estar num lugar muito especial, falou assim: confusão coisa nenhuma. Um desses Meninos Jesus que aparecem no mundo nasceu perto dela…

Grande 2008 pra todos vcs. beijão.

Ana Miria

Explosão dum passado

O melhor, o melhor mesmo deste incógnito futuro é sentir a certeza de que vocês existem em minha vida de 2008, 9, 10 , 1000… Me fazem querer mais, querer sempre, aceitar o improvável e crescer no inconstante. Vocês curam minhas feridas e adornam meu sorriso. Vocês são o meu brilho pulsante e minha luz no breu.

Adoro cada um, cada todo, cada muito dos poucos minutos que vivenciamos. E, por isso sou como sou e quero melhor ser para merecer vocês. Cada um, cada todo.

Um novo ano inicia dando continuidade ao poder de sonhar e fortalecendo o dom de realizar. E cada um, tem todo um todo, de encanto em minha vida. E vida deixei rolar nas escadas, num passado recente. E vida eu quero compartilhar com cada todo de cada um de vocês. Quando meu coração bateu forte, minhas pernas bambearam, meus braços se apertaram e meus olhos molharam-se em lágrimas de surpresa e apreensão pelo que viria depois. Uma explosão do passado.

Vou explicar. No último ano que passou, num dia escaldante, na ãnsia em correr para um novo tempo, desci as escadas carregando entre o peito meus grandes prazeres: um champanhe nacional da França e um ramalhete de meia dúzia de livros. Flutuaram no espaço, libertaram-se de minhas amarras e escorregaram entre os meus passos, deixando-me para trás. Doeu. Foi um choque momentâneo. A dor do desapego. O sofrimento das letras molhadas, boiando na espuma de prata e nos cacos de fel. Depois pensei, não se deve lamentar o champanhe derramado. Mesmo, vendo as páginas sóbrias, sábias, e complexas deliciarem-se no néctar quente dionisial, a espuma flamejante tomando conta do espaço e degradando-se na trilha em caracol.

Fim dos tempos, nobre limpeza de alma e de caminho. Nova história.

Ergui as mãos pro alto e pedi em dobro o que havia perdido. O céu se abriu, raios caíram e a água inundou o chão onde escorriam as gotas de um brinde não feito. Uma página a mais virada no tempo. Os livros agora chafurdados em Brut me oferecem uma nova visão de mundo, uma visão um pouco turva mas muito, muito inebriante.

2008 promete nos embriagar de alegrias, por cada um em cada todo momento!

Circe Brasil
comunicóloga