De flores e curativos
Último dia de 2007, duas e meia da tarde, sol escaldante lá fora, ar refrigerado numa farmácia do Flamengo, Rio de Janeiro. Estou comprando meus últimos suprimentos para entrar em 2008 sem dor de cabeça, já que não comprei o suficiente para as noites anteriores e minha “cachola” estava pagando por isso. Ao adquirir meus envelopes de Engov ouço uma voz: “moço, o senhor tem um pedaço de esparadrapo?”. Não. Foi o que respondeu de pronto o balconista. Até processar o diálogo na minha combalida cabeça ressacada, o rapaz que solicitou o pedaço de curativo já estava saindo da farmácia.
Acompanhei seus passos claudicantes e vi que parou atrás de um monte de flores e ali sentou. Comprei uma caixinha de band-aid, por R$ 1,29, tirei dois e levei até o vendedor de flores que sofria com o sapato apertado. Vai saber quanto tempo não usa um calçado novo? Entreguei os curativos e ouço um muito obrigado, além da oferta de flores. Poderia pegar as que eu quisesse.
Encabulado, não querendo dar muito prejuízo, pego um botão de rosa vermelha, mas este traz outro enganchado pelos espinhos. Tento soltá-los, mas ouço o rapaz: “Pode ficar com os dois e feliz ano novo”. Certamente, os dois botões custavam bem mais do que a caixinha de esparadrapo, da qual só subtraí dois curativos e fiquei com o restante.
Saio, com cara de bobo alegre, ostentando as duas rosas, com espinhos e tudo. São estas rosas que ofereço a vocês.
E 2008 começou.
Beijão,
Washington Araújo, jornalista
Meninos Jesus
Os anjos estão por aí. Tb tomam engov no espaço terreno. Todos nós somos abençoados por termos alguns deles entre nossos amigos.
Ki bom começar 2008 com esse sinal. Que as rosas exalem o carinho que temos por ti…
Sabe, numa noite de Natal estava saindo da casa dos meus pais, em Santos e socorri uma menina que estava trancada na quitanda da esquina. Precisei chamar um homem forte como vc, arrombou a porta e levei a garota pro hospital. Estava tendo bebê. Não deu tempo, nasceu no meu carro mesmo, fiz o parto ali dentro e quando vi aquela coisinha a enrolei na única coisa que tinha por perto: minha camiseta, do avesso. Imagine a cena na hora que chego de peito de fora na porta da santa casa, cordão umbilical sem cortar… enfim, uma doideira.
Quando cheguei em casa a turma disse que as confusões me atraíam. Aí meu pai nordestino, um cara super gente fina, que deve estar num lugar muito especial, falou assim: confusão coisa nenhuma. Um desses Meninos Jesus que aparecem no mundo nasceu perto dela…
Grande 2008 pra todos vcs. beijão.
Ana Miria
Explosão dum passado
O melhor, o melhor mesmo deste incógnito futuro é sentir a certeza de que vocês existem em minha vida de 2008, 9, 10 , 1000… Me fazem querer mais, querer sempre, aceitar o improvável e crescer no inconstante. Vocês curam minhas feridas e adornam meu sorriso. Vocês são o meu brilho pulsante e minha luz no breu.
Adoro cada um, cada todo, cada muito dos poucos minutos que vivenciamos. E, por isso sou como sou e quero melhor ser para merecer vocês. Cada um, cada todo.
Um novo ano inicia dando continuidade ao poder de sonhar e fortalecendo o dom de realizar. E cada um, tem todo um todo, de encanto em minha vida. E vida deixei rolar nas escadas, num passado recente. E vida eu quero compartilhar com cada todo de cada um de vocês. Quando meu coração bateu forte, minhas pernas bambearam, meus braços se apertaram e meus olhos molharam-se em lágrimas de surpresa e apreensão pelo que viria depois. Uma explosão do passado.
Vou explicar. No último ano que passou, num dia escaldante, na ãnsia em correr para um novo tempo, desci as escadas carregando entre o peito meus grandes prazeres: um champanhe nacional da França e um ramalhete de meia dúzia de livros. Flutuaram no espaço, libertaram-se de minhas amarras e escorregaram entre os meus passos, deixando-me para trás. Doeu. Foi um choque momentâneo. A dor do desapego. O sofrimento das letras molhadas, boiando na espuma de prata e nos cacos de fel. Depois pensei, não se deve lamentar o champanhe derramado. Mesmo, vendo as páginas sóbrias, sábias, e complexas deliciarem-se no néctar quente dionisial, a espuma flamejante tomando conta do espaço e degradando-se na trilha em caracol.
Fim dos tempos, nobre limpeza de alma e de caminho. Nova história.
Ergui as mãos pro alto e pedi em dobro o que havia perdido. O céu se abriu, raios caíram e a água inundou o chão onde escorriam as gotas de um brinde não feito. Uma página a mais virada no tempo. Os livros agora chafurdados em Brut me oferecem uma nova visão de mundo, uma visão um pouco turva mas muito, muito inebriante.
2008 promete nos embriagar de alegrias, por cada um em cada todo momento!
Circe Brasil
comunicóloga