Posts de Março, 2008

Laura e Rosana, a dupla que não engana, mas é bacana.

Março 24, 2008

De santa as duas não têm nada
Uma, pouco assanhada
A outra, um tanto espevitada
Esta dupla é uma parada

Aniversariam Laura e Rosana
A primeira, pernambucana
A outra é paulistana
Uma dupla bem b(s)acana

A Rosana vive nos ares
Amigos, tem aos pares
Sentimento em altos patamares
Só podia ser de Áries

Já a nossa Laura refrescor
Gosta do frevo com amor
Ferve ao máximo no calor
Nos ventila, feito ventilador

Uma loura, outra morena
Geram dúvida, que dilema
Qual escolher, é o tema
Ficamos com duas, sem problema

Uma põe a cabeça na mesa
A outra, os peitos, que beleza
Antes de pensar em coisa tesa
Fiquemos com a natureza

São duas santidades
Não no âmago da verdade
Deus me livre de veleidades
Mas são fiéis às amizades

Aniversário cai na sexta-feira
Dia santo de bebedeira
Desta vez, data verdadeira
Cristo, não nos deixe sem saideira

Queridas Rosana e Laura
Pintamos vocês com aura
Com alma que restaura
Com a fé que nos instaura

Somos das suas virtudes conscientes
Mas não acredite em nossas mentes
Da suas amizades somos crentes
Mas no boca a boca, maledicentes

Só nos resta felicitá-las
Amizade que nos embala
Nesta comissão tem mala
E coração maior que a sala

Laurinha, comemore com muito frevo
Rosana, com muito atrevo
Que tudo de bom seja longevo
Diz o grupo que subscrevo

Ana Miria, Circe Brasil, Deise Bianca, Gerson Ponto G, Karla Maia Soares, Lídia Pena, Lily, Loreta Pinheiro, Luciana Salles, René Ruschel, Rita Pimenta, Rosa de Fátima, Virginia Oliveira, Washington Araújo, Wellington Silva, Wilson Renato.

Amigos, especialmente as amigas aniversariantes, como notaram no meu último e-mail, não tenho muita simpatia pela coletivização feminina (dia das mulheres e coisas do tipo). gosto mais do mérito de quem tem mérito, da singularidade, independente de gênero, número e grau.

E meritosas e singulares são, e muito, as queridas rosana e laura (estou apaixonado por pernambuco, quase fiquei por lá). nos muitos anos de convívio com vocês, pude desfrutar das almas boas e gentis de ambas, da ética, solidariedade, senso de humor, competência profissional, belezas interna e externa. nisso “radicais” vocês são, como diria jpedrim por aqui.

Tenho muita satisfação em tê-las encontrado pela vida. espero que possam dizer o mesmo, pois aí estaria tudo perfeito.
felicidades, aproveitem e saboreiem cada dia da existência de vocês, torne-nos suculentos como um sorvete de final de tarde de verão. lambam e se deixem lamber pela brisa e pelo sol das manhãs. sejam mais que estejam nesta vida. o tempo é agora, não dá prá deixar prá depois.

Wilson Renato – jornalista e psicanalista.

Saudades

Março 14, 2008

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Bati papo pela Internet outro dia com a turma aqui dos fundos sobre a Rua Nascimento e Silva. Foi muito legal. Fiquei com saudades de momentos recentes e outros nem tanto que passei por ali. Teve uma época que vinha para o Rio e ficava na casa da minha amiga Eliete, que morava no número sete da Nascimento e Silva. A vida traz destas analogias com a arte.

Na música “Carta ao Tom 74”, Vinicius e Toquinho falam da “Nascimento e Silva 107, você ensinando para a Elizete as Canções da canção do amor demais”. Pois é, como disse o próprio morador do 107, o Tom Jobim, “longa é a arte, tão breve a vida”, a Eliete faleceu num acidente de carro.

Assim que cheguei para morar aqui passei por lá e fiz questão de bater uma foto na frente da casa do Tom. Ele morou lá durante uns cinco anos, se não me engano de 1953 a 1962. Dali ele compôs “Da janela vejo o corcovado, o redentor que lindo. Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama…”

Outro dia tomei cerveja com chuva lá na esquina com a Vinicius de Moraes. Foi um momento muito bonito e, ao mesmo tempo, triste.

Da janela já não se vê o Cristo, pois um prédio tirou a visão de Jobim. Da música que fez rua ficar famosa, “Rua Nascimento Silva, cento e sete. Você ensinando para Elizete . As canções da canção do amor demais. Lembra que tempo feliz. Ah! que saudade, Ipanema era só felicidade.Era como se o amor doesse em paz”.

Devido ao progresso, Vinicius e Chico fizeram, de, brincadeira séria, “Rua Nascimento Silva, 107. Eu saio correndo do pivete., tentando alcançar o elevador. Minha janela não passa de um quadrado, a gente só vê Sergio Dourado onde antes se via o Redentor”.

O papo sobre isso me deu uma saudade danada. Saudade até do que eu não vivi, mas ouvi. Saudade de momentos felizes que tive com pessoas e que hoje são cinzas. Mas vou continuar ouvindo o conselho dos poetas e seguir em frente. “É meu amigo só resta uma certeza: é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor.”

Washington Araújo, jornalista

É meu amigo, concordo plenamente com esta certeza: é preciso acabar com essa tristeza, É preciso inventar (sempre) de novo o amor.

E para isso: abraços e carinhos sem ter fim, que é pra acabar com essa tristeza…

Lidia Pena
jornalista

Saulo

Março 14, 2008

Viajando por este nosso imenso país temos a oportunidade de descobrir o que ele tem de mais valioso: as pessoas. Encontrei alguém muito interessante em Porto de Galinhas – PE – que, apesar da pouca idade, teve muito a me mostrar.

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Saulo é um daqueles garotos que chega com jeito de quem não quer nada, faz em segundos (com folhas de coqueiro) uma rosa e um peixe numa varinha de pescar, te dá o que fez e fala para pagar o quanto você acha que vale. Conta histórias de que já viu muito tubarão quando passou de barco além dos recifes, que acorda uma da madrugada e vai buscar água doce para a mãe, que só faz duas refeições por dia. Conversador e simples como o seu próprio mundo tem uma virtude que vale muito: sabe ser feliz.

Luiz César Cabral de Menezes, publicitário e designer

Reclamo, logo falo

Março 5, 2008

Freud foi mesmo um gênio. Mas por que essa súbita descoberta, se minha admiração pela a psicanálise vem de muito tempo? Simples. A cada observação do cotidiano humano dá para perceber que a teoria do professor, construída há mais de cem anos, continua mais atual do que nunca.

Outro dia estava, pacientemente, esperando a hora de pegar meu filho João Pedro na escola quando uma pequena algazarra me distraiu da leitura do livro do Ricardo Kotscho “Uma vida simples e feliz”, que fala de reduzir expectativas consumistas e ter disponibilidade para aproveitar bem a vida. Como, por exemplo, buscando os filhos após a aula, o que eu estava exatamente fazendo naquele momento, após algumas providências para reativar meu consultório de psicologia.

Passei a observar uma meia dúzia de mães conversando freneticamente no banco logo à minha frente e não pude deixar de notar que na pauta estavam as suas empregadas domésticas (prato predileto delas, sem trocadilho), seus maridos (outra preferência) e tudo mais que merecesse ou não alguma espinafração. Incrível como tudo o que caía na roda era motivo de comentários em que não sobravam pedra sobre pedra, mas feitos com a candura de Madre Teresa de Calcutá.

Não deu pra não pensar nos escritos do dr. Freud sobre a “inveja do pênis” (falo, poder) por parte das mulheres e os mecanismos compensatórios desenvolvidos por elas para lidar com a angústia frente à diferença anatômica entre os sexos. Há todo um simbolismo psíquico construído a partir disso, mas não há dúvida de que, na linguagem do inconsciente feminino, a falta do falo certamente deu lugar a outro “falo” (ou reclamo).

A angústia dos companheiros do gênero masculino frente às reclamações femininas é justificada, pois como elas vivem infernizando suas vidas com incessantes demandas de tudo, sempre apontando uma falta aqui, outra ali, o nível de ansiedade vai à estratosfera, porque a última coisa com que os homens querem se defrontar é com falhas, se bons obsessivos forem.

E, por incrível que possa parecer, é exatamente esse jogo inconsciente que garante o sucesso de muitas relações pois, como um par perfeito, elas são mestres em apontar faltas (para não ver a própria) enquanto eles são especialistas em atender pedidos e tapar buracos, também para não ver suas faltas. Que mulher precisa de pênis, se pode substituí-lo e gozar com uma reclamaçãozinha aqui, outra ali, até para conseguir o citado penduricalho masculino no simbólico e mesmo no real da coisa? Quer maior poder que isso? E, ao final, na maioria dos casos, todos saem felizes e satisfeitos, por mais que digam o contrário.

Por Wilson Renato Pereira – jornalista e psicanalista