Posts de Abril, 2008

O rei da batera

Abril 14, 2008

pedrim

pessoal,

outro dia teve um de rock aqui no condomínio e, no intervalo, adivinhem quem se sentou na batera e deu o maior show, individual jam session da melhor qualidade. foi aplaudidíssimo pela platéia.

Vejam…e participem da vaquinha que já estou fazendo para providenciar isolamento acústico por aqui. em breve, acho que vou virar manager no show.

Wilson Renato
jornalista e psicanalista e pai do João Pedrim, o terror da batera.

Simplesmente Luciana

Abril 10, 2008

Bye, Bye, Luciana

Acabou. Depois de sete anos bem vividos, assinei toda a papelada e me separei. O famoso ciclo dos sete anos (Madame Ro pode falar melhor sobre isso). O fato é que, num 1° de abril, me desliguei da Valia. Verdade!

Foi um período de grande crescimento, aprendizado (consigo até entender um pouco – muito pouco mesmo, é verdade – as demonstrações contábeis) e, sobretudo, de enormes conquistas. Conquista de amigos queridos, que tenho certeza não vão se abalar por eu ter perdido o sobrenome. Não sou mais a Luciana da Valia. Sou Luciana Salles. Simplesmente.

E é assim que inicio oficialmente meu ano sabático, cheia de planos para fazer cursos, reciclar, descansar, viajar e, principalmente, aproveitar cada segundo com meu filho Leonardo, o pequeno Girasole, que veio ao mundo com a missão de procurar o sol. Sempre.

Um beijo no coração de todos que me são muito queridos

Se contar ninguém acredita (continuação)

Abril 6, 2008

Comprovadamente acontecem coisas na vida da gente e quando relatamos ninguém acredita. Até Deus duvida.

Alô, sou eu
Onde tu tá ?
Na casa do pai e da mãe.
Tu ta bem?
Sim.
E o carro?
Esta lá embaixo.
Na rua?
Sim.
Guarda ele na garagem, AGORA! Depois falamos.

Ao entardecer do domingo voltei à cidade e resolvi passar na casa de meus pais, pois há muito não os via e deveriam ter chegado de viagem. Ao abrir a porta minha mãe me abraçou forte e disse comovida “ Graças a Deus você está bem. Ligue para seu irmão ele perguntou por ti”. Foi quando tive a conversa acima.

Depois de guardar o carro na garagem, peguei o celular que estava sem bateria e coloquei a carregar. Foi quando percebi a quantidade de ligações perdidas e a caixa postal lotada. Números variados e repetidos, em todas as horas. Minhas pernas tremiam a cada recado desesperado contido na caixa: Onde você está? Liga pra mim. Pelo amor de Deus se comunique. Não sabemos o que aconteceu. Que droga, liga pra gente. Onde você se meteu. As crianças estão em pânico. Dá notícias. Oi, eu de novo. Assim que chegar liga… e assim por diante. Uau. O que teria acontecido?

Liguei para as crianças que choraram no telefone. E fui dando retorno a cada um que me ligou e sempre era uma expressão de alívio, agradecimento divino e um xingamento injusto. O meu abalo estava sendo tão grande quanto o das pessoas que passaram todo o final de semana me procurando e investigando onde eu poderia estar.

Aconteceu que a minha filha decidiu, também por impulso, afinal é sangue do meu sangue, a não ir para a casa do Pai na sexta-feira. Ao chegar em nossa casa não me encontrou, viu o lugar em desalinho e ligou para meu celular e dava fora de área. Ligou várias vezes, como eu não dei retorno e era tarde ligou para meus irmãos para saber se eu estava na casa de um deles. Ninguém sabia. Ok

Na manhã seguinte perto das 10 horas, ela que dormiu assustada e me esperando, ligou novamente para a tia e disse que eu não havia voltado para casa. Daí foi um tal de liga para a empresa em que eu trabalhava e o porteiro informou que eu havia saído perto das 19h. Liga para uma colega de trabalho e ela disse não saber de meu paradeiro e que eu não tinha nenhuma programação para o findi. Durante o dia todo foi um ligando para o outro e todos ligando para mim.

A noite avançou e as notícias não chegavam. Meu irmão já tinha ido na empresa pegou o minha agenda pessoal e fez uma triagem em ligações. Chefes, subordinados, colegas, exes etc. Lá pelas tantas alguém rastreou o meu celular e descobriu que o último sinal do aparelho tinha sido num bairro pouco ortodoxo da cidade, ou melhor o mais perigoso a vidas humanas latentes. O desespero se espraiou. Outro alguém consultou os búzios ou cartas e a resposta foi de que eu estava em estado de iluminação, num plano superior e que estava bem e preocupada com a família. Via lágrimas em mim e muito cansaço.

Ninguém mais segurou ninguém. A festa de lançamento da reforma do banheiro de uma amiga virou em drama. O Secretario da segurança pública do Estado foi comunicado. Toda a polícia estava em busca do meu Kasinho que poderia ter sido roubado e eu vítima de seqüestro ou coisa pior.

E, o pior é que eu estava bem, em um plano superior e em lágrimas de ressurreição. Tudo pela culpa de eu ter ido em busca de meu eu e ter formado mais nós, que a própria vã filosofia não pode explicar. E aquele que deveria ter sido meu segurança, meu elo com a vida real, morreu por um fio. Não dá nem para confiar no próprio celular. E falando de celular tem mais umas estórias de espantar, porém não faz parte desta, que finalmente foi esclarecida e por durante muito tempo eu ainda ouço das pessoas palavras de apreço e de indignação pelo ocorrido.

Mas o que até hoje não consegui convencer foi o meu irmão que eu estava lá no Templo, rezando e pedindo por momentos de mais integração e afeto entre as pessoas. Para ele e alguns outros, eu estava era em alguma sacanagem, que nem imagino qual seja e com certeza, não foi com ninguém da agenda.

Circe Brasil
comunicóloga

Se contar ninguém acredita

Abril 2, 2008

Coisas acontecem na vida da gente e quando relatamos ninguém acredita. Até Deus duvida. Ou é Ele quem esta se divertindo nos bastidores?

Houve um período de minha vida em que me deparei com sentimentos de muita solidão. Tinha um bom emprego, filhos crescidos, contas pagas e um lar vazio nos fins de semana que meus pimpolhos ficavam na companhia do Pai. E num destes, ao final do dia da sexta-feira, o coração me comprimia ao lembrar que chegaria em casa com as frutas, o pão e não teria com quem compartilhar, ou ouvir as queixas de quem estava cheio de vida, ilusões e entusiasmo em realizar.

Naquela tarde, porém, resolvi fazer diferente, por impulso, decidi acompanhar um Grupo de meditação que iria para um sítio passar os dois próximos dias em busca do nirvana, com as mentalizações e ações de bioenergética do mestre OSHO.

Olhei o relógio digital do supermicro que eu trabalhava e os números apontavam quase dezenove horas, peguei no telefone disquei…disquei nada, apertei as teclas do Templo e perguntei que horas seria a partida do Grupo para o sítio. Entrei em disparada quando me informaram que partiriam às 20h. Desliguei e fechei tudo normalmente, conforme sempre fazia ao término do expediente e voei os 15km para casa no meu Kasinho, peguei o básico para higiene pessoal, sem olhar para as camas por arrumar, a louça para lavar e outras atividades que fazia normalmente ao chegar em casa, parti.

Cheguei a tempo da divisão de pessoas por carro e saímos em comboio por um trajeto que nunca d’antes percorri. Aliás, nunca também tinha feito qualquer atividade semelhante ou freqüentado tal exercício Osholar. Buscava somente uma ocupação interessante, ao encontro do “eu” em favor dos “nós”, ou na solução de desfazer os nós do eu. Doeu. Mas alguém havia falado que era interessante e acreditei.

Até aí nada de extraordinário. O sítio era simples, porém rico em natureza e isolamento. A comida, logo servida, era natureba e fresquinha. As pessoas se comportavam como em um acampamento escolar, seguiam as regras, ouviam atentamente, limpavam o que sujavam e arrumavam o que estava para consertar. O toque de recolher, veio depois das apresentações pessoais e da proposta de atividades para o dia seguinte. Às cinco horas da matina deveríamos acordar e correr para o beiral do rio, tomar um litro de água morna, sem respirar e depois você já pode imaginar…blergs

O dia foi repleto de exercícios doutrinários de esgotamento físico e emocional, o desempenho físico, a tolerância, a subserviência, os desapegos pelo conforto e a disciplina de horários, foram testados. Lágrimas, risos, gritos, iras, afeto, paciência, controle, atenção etc e etc foram provados. Resumindo, ninguém esta feliz com tudo que tem e sempre há algo para fazer-nos ansiosos e reclamões. Sou normal.

Sendo que…tento ligar do celular para saber como os meus filhos estavam, não consigo e sou avisada que na região não tem sinal devido as montanhas. A única forma seria usar o telefone da secretaria que naquele horário estava fechada. Pensei, amanhã eu tento. O amanhã chegou tão cedo como no dia anterior e a secretaria não abre aos domingos. Tudo bem, eles estão sendo cuidados pelo Pai, como sempre foi feito em doze anos. Normal. Mas fico ansiosa e mergulho nas intensas atividades em meditações para reparar a solidão e o sentimento de que ninguém precisa de mim e tanto faz existir. Estou só, sou só e não me sinto importante a qualquer pessoa. Chorei, chorei muito a minha desolação existencial. Gritei muito pedindo um sinal de que me fizesse acender a chama da vontade, da energia do entusiasmo. Oh Deus, por que nasci?

(continuação nos próximos dias)

Circe Brasil
comunicóloga