Comprovadamente acontecem coisas na vida da gente e quando relatamos ninguém acredita. Até Deus duvida.
Alô, sou eu
Onde tu tá ?
Na casa do pai e da mãe.
Tu ta bem?
Sim.
E o carro?
Esta lá embaixo.
Na rua?
Sim.
Guarda ele na garagem, AGORA! Depois falamos.
Ao entardecer do domingo voltei à cidade e resolvi passar na casa de meus pais, pois há muito não os via e deveriam ter chegado de viagem. Ao abrir a porta minha mãe me abraçou forte e disse comovida “ Graças a Deus você está bem. Ligue para seu irmão ele perguntou por ti”. Foi quando tive a conversa acima.
Depois de guardar o carro na garagem, peguei o celular que estava sem bateria e coloquei a carregar. Foi quando percebi a quantidade de ligações perdidas e a caixa postal lotada. Números variados e repetidos, em todas as horas. Minhas pernas tremiam a cada recado desesperado contido na caixa: Onde você está? Liga pra mim. Pelo amor de Deus se comunique. Não sabemos o que aconteceu. Que droga, liga pra gente. Onde você se meteu. As crianças estão em pânico. Dá notícias. Oi, eu de novo. Assim que chegar liga… e assim por diante. Uau. O que teria acontecido?
Liguei para as crianças que choraram no telefone. E fui dando retorno a cada um que me ligou e sempre era uma expressão de alívio, agradecimento divino e um xingamento injusto. O meu abalo estava sendo tão grande quanto o das pessoas que passaram todo o final de semana me procurando e investigando onde eu poderia estar.
Aconteceu que a minha filha decidiu, também por impulso, afinal é sangue do meu sangue, a não ir para a casa do Pai na sexta-feira. Ao chegar em nossa casa não me encontrou, viu o lugar em desalinho e ligou para meu celular e dava fora de área. Ligou várias vezes, como eu não dei retorno e era tarde ligou para meus irmãos para saber se eu estava na casa de um deles. Ninguém sabia. Ok
Na manhã seguinte perto das 10 horas, ela que dormiu assustada e me esperando, ligou novamente para a tia e disse que eu não havia voltado para casa. Daí foi um tal de liga para a empresa em que eu trabalhava e o porteiro informou que eu havia saído perto das 19h. Liga para uma colega de trabalho e ela disse não saber de meu paradeiro e que eu não tinha nenhuma programação para o findi. Durante o dia todo foi um ligando para o outro e todos ligando para mim.
A noite avançou e as notícias não chegavam. Meu irmão já tinha ido na empresa pegou o minha agenda pessoal e fez uma triagem em ligações. Chefes, subordinados, colegas, exes etc. Lá pelas tantas alguém rastreou o meu celular e descobriu que o último sinal do aparelho tinha sido num bairro pouco ortodoxo da cidade, ou melhor o mais perigoso a vidas humanas latentes. O desespero se espraiou. Outro alguém consultou os búzios ou cartas e a resposta foi de que eu estava em estado de iluminação, num plano superior e que estava bem e preocupada com a família. Via lágrimas em mim e muito cansaço.
Ninguém mais segurou ninguém. A festa de lançamento da reforma do banheiro de uma amiga virou em drama. O Secretario da segurança pública do Estado foi comunicado. Toda a polícia estava em busca do meu Kasinho que poderia ter sido roubado e eu vítima de seqüestro ou coisa pior.
E, o pior é que eu estava bem, em um plano superior e em lágrimas de ressurreição. Tudo pela culpa de eu ter ido em busca de meu eu e ter formado mais nós, que a própria vã filosofia não pode explicar. E aquele que deveria ter sido meu segurança, meu elo com a vida real, morreu por um fio. Não dá nem para confiar no próprio celular. E falando de celular tem mais umas estórias de espantar, porém não faz parte desta, que finalmente foi esclarecida e por durante muito tempo eu ainda ouço das pessoas palavras de apreço e de indignação pelo ocorrido.
Mas o que até hoje não consegui convencer foi o meu irmão que eu estava lá no Templo, rezando e pedindo por momentos de mais integração e afeto entre as pessoas. Para ele e alguns outros, eu estava era em alguma sacanagem, que nem imagino qual seja e com certeza, não foi com ninguém da agenda.
Circe Brasil
comunicóloga
Abril 8, 2008 às 3:13 pm |
É, Circe, tem coisa que nem contando o povo acredita. Mas este é o tempêro da vida.