Há muito eles não se viam. Ela, por mais que fizesse não conseguia esquecê-lo, ou deixar de amá-lo. Querer ou não querer, como fazer para esquecer? E, olha que ele fazia muito para ser ignorado por tipos apaixonados como ela, mas seu ego a chamava. Os semelhantes se atraem.
O encontro foi marcado para os premeditados chopinhos. Alegria geral, ele adorava chope e ela, ele. No entanto havia um porém: se beber não dirija. Então, como é que fica? Quem vai de carro? Combinaram de se encontrar no local, aonde cada um iria de táxi. O local deveria ser próximo, a fim de evitar perda de tempo e gastos desnecessários. Assim aconteceu.
Ao chegar, ela viu-o sentado a sua espera com um copo já bebido. A emoção do reencontro pediu um brinde, dois, vários. Ele, encantador como sempre, e ela, bastante nervosa.
Com a desculpa do frio, mais dois copos foram pedidos. A emoção comandava a situação. As lembranças, as vivências e os sonhos desfeitos eram os temas da conversa, que durou muitas horas, regada a chope. A pizza, coitada, foi para caixa de “vou levá-la”. Afinal, consciência ecológica e social também faze parte do desenvolvimento humano preservatório.
Sem vergonha de serem educados. A companhia estava muito agradável. A saideira havia sido bebida umas duas ou três vezes, as toalhas das outras mesas já haviam sido recolhidas, as janelas fechadas e o aquecedor do ambiente desligado. Estava na hora de irem embora antes que o garçom pedisse. Secados os copos, partiram.
Ela estava aflita com o momento de qual resposta deveria dar na hipótese dele perguntar se o acompanharia no mesmo táxi, ou se cada um iria partir em carros separados. Não houve a pergunta, só havia um táxi na proximidade e a chuva iniciara. Para ele, era lógico entrarem no carro juntos e fazer a pergunta esperada logo após.
Que situação desagradável, incluir um estranho num momento de íntimas decisões. Ir ou não ir? Ficar ou não ficar? Combinar ali, diante do motorista do táxi, o destino a seguir. Perfeito constrangimento, aparente frieza e a leveza dos ébrios.
Princípios da convivência social. Os anseios contemporâneos são pré-históricos. Hoje, graças à tolerância zero de dirigir alcoolizado, as vidas de nossos protagonistas foram preservadas, o motorista do táxi ganhou também história hilária para contar.
A ressaca foi mantida, além de tudo mais. Se antes era conflitante, agora é delito. Beber ou não beber, querer ou não querer, ir ou não ir, ser ou não ser? Eis a razão, por mais que queiram mudar os costumes, a essência humana continuará a mesma. Por favor, um café forte e bem quente para ter que engolir mais esta!
Circe Brasil
comunicóloga











