Arquivo da categoria ‘Guru de Brumadim’

Em resposta: “versim do uilsim”

Setembro 30, 2008

que não se engane, amiguim ostim
suas palavras sempre a marejar meus oim,
mas seu amigo uilsim, sempre no pique,
de valadares, via paris, chegou sim a munique.

de messiê pêrrêrrá chamaram o zebrinha,
que achou aquilo muita estranheza
muito diferente do que sabia a alma montanhesa
tratou depois de seis meses de vortá
prá minas gerais de novo morá.

aqui largou o tal do marqueting e com vaca de leite
e seringueira tratou de trabalhar com deleite.
na fazenda do ex-sogro foi feliz em miradouro
e isso esqueci de contar que foi bom de dar no couro.

já andei muito por frança, oropa e bahia,
e no brumadinho tô de pouso sem muita risaria,
precisando outros rumos tomar
pois a grana tá começando a faltar.

de pequeno vó didinha já dizia preocupada
que o menino trabalho ia dar de lavada,
“ofricido” que nem ele só mas
ia estar sempre passando prá uma mió.

feliz e contente ainda não estô
mas nem por isso deixo de ser dotô,
fazendo de ajudar o mundo uma sina
que quero ver feliz lá de cima.

Wilson Renato
jornalista e psicanalista e pai do João Pedrim

O rei da batera

Abril 14, 2008

pedrim

pessoal,

outro dia teve um de rock aqui no condomínio e, no intervalo, adivinhem quem se sentou na batera e deu o maior show, individual jam session da melhor qualidade. foi aplaudidíssimo pela platéia.

Vejam…e participem da vaquinha que já estou fazendo para providenciar isolamento acústico por aqui. em breve, acho que vou virar manager no show.

Wilson Renato
jornalista e psicanalista e pai do João Pedrim, o terror da batera.

Reclamo, logo falo

Março 5, 2008

Freud foi mesmo um gênio. Mas por que essa súbita descoberta, se minha admiração pela a psicanálise vem de muito tempo? Simples. A cada observação do cotidiano humano dá para perceber que a teoria do professor, construída há mais de cem anos, continua mais atual do que nunca.

Outro dia estava, pacientemente, esperando a hora de pegar meu filho João Pedro na escola quando uma pequena algazarra me distraiu da leitura do livro do Ricardo Kotscho “Uma vida simples e feliz”, que fala de reduzir expectativas consumistas e ter disponibilidade para aproveitar bem a vida. Como, por exemplo, buscando os filhos após a aula, o que eu estava exatamente fazendo naquele momento, após algumas providências para reativar meu consultório de psicologia.

Passei a observar uma meia dúzia de mães conversando freneticamente no banco logo à minha frente e não pude deixar de notar que na pauta estavam as suas empregadas domésticas (prato predileto delas, sem trocadilho), seus maridos (outra preferência) e tudo mais que merecesse ou não alguma espinafração. Incrível como tudo o que caía na roda era motivo de comentários em que não sobravam pedra sobre pedra, mas feitos com a candura de Madre Teresa de Calcutá.

Não deu pra não pensar nos escritos do dr. Freud sobre a “inveja do pênis” (falo, poder) por parte das mulheres e os mecanismos compensatórios desenvolvidos por elas para lidar com a angústia frente à diferença anatômica entre os sexos. Há todo um simbolismo psíquico construído a partir disso, mas não há dúvida de que, na linguagem do inconsciente feminino, a falta do falo certamente deu lugar a outro “falo” (ou reclamo).

A angústia dos companheiros do gênero masculino frente às reclamações femininas é justificada, pois como elas vivem infernizando suas vidas com incessantes demandas de tudo, sempre apontando uma falta aqui, outra ali, o nível de ansiedade vai à estratosfera, porque a última coisa com que os homens querem se defrontar é com falhas, se bons obsessivos forem.

E, por incrível que possa parecer, é exatamente esse jogo inconsciente que garante o sucesso de muitas relações pois, como um par perfeito, elas são mestres em apontar faltas (para não ver a própria) enquanto eles são especialistas em atender pedidos e tapar buracos, também para não ver suas faltas. Que mulher precisa de pênis, se pode substituí-lo e gozar com uma reclamaçãozinha aqui, outra ali, até para conseguir o citado penduricalho masculino no simbólico e mesmo no real da coisa? Quer maior poder que isso? E, ao final, na maioria dos casos, todos saem felizes e satisfeitos, por mais que digam o contrário.

Por Wilson Renato Pereira – jornalista e psicanalista