
Entre um bloco e outro do animado pré-carnaval do Rio, no último domingo, uma roda de samba de respeito era de lei. Em pleno centro, na tradicional rua do Ouvidor, na porta da charmosa livraria Folha Seca, que vem dando enorme contribuição à vida cultural da cidade, compositores geniais como Paulinho da Viola, Silas de Oliveira e Cartola eram reverenciados a plenos pulmões. Magia pura naquele recanto marcado por antigos casarões, onde também se encontra a bela igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, fundada em 1747.
Ali, não ficava difícil imaginar que naquele chão, em algum lugar do passado, escravos tivessem feito algum batuque em momento de resistência. O clima de boa nostalgia misturado ao cheiro da chuva que caiu forte no fim da tarde era o cenário perfeito para aquele grupo de músicos, jovens em sua grande maioria, carimbar o valor da melodia em detrimento de outros hábitos esquisitos que costumam ter, infelizmente, certos jovens da Barra da Tijuca, principalmente.

Em torno da roda, gente de todas as idades e profissões cantava com a mesma alegria sambas que homenageavam as escolas de raiz, fosse o Império Serrano ou a Mangueira ou a Portela. Ali, como dizia o inesquecível samba enredo da Verde e Rosa, em 1967, “tudo era maravilha, tudo era sedução, quanta alegria e fascinação”…
Quem viu, viu, quem não viu perdeu e São Sebastião do Rio de Janeiro, em seu dia, certamente sorriu!
Lidia Pena
jornalista











