Rosana Rossi C. Romero

Rosana Romero

Quem sou, Onde estou, Para onde vou?

Há muitos anos, numa madrugada, acordei, sentei na cama e fiz essa pergunta em alto e bom som: quem sou, onde estou, para onde vou? Na ocasião, meu companheiro, assustado com a cena bizarra, me disse: “você é uma maluca e amanhã vai trabalhar bem cedo… vê se dorme!”

Caí na real rapidinho, voltei a dormir, mas tais questionamentos nunca me permitiam ser uma pessoa “normal” , comportada, ilibada (aliás, essa palavra tem alguma coisa paradoxal, porque a libido, meus caros, é fundamental para uma vida equilibrada).

Mas quem sou eu, afinal? Uma pequena burguesa, era assim minha vida de menina. Viagens de navio, luxo para todos, roupas importadas, colégio Sion… garota criada para encontrar um príncipe encantado (mas só veio sapo no meu caminho…). Fiz jornalismo na Faap (às vezes assistia as aulas do Wladimir Herzog), briguei pelos direitos dos índios, dos pobres, dos negros, das mulheres, dos operários. Casei com um cara pobre, tive meus filhos em casa (de cócoras!), criei galinhas, plantei alface e couve. Acho que fui índia em outra encarnação, ou será que vivi na Índia?

Minha vida é peregrina.. Subi a cordilheira dos Andes, morei no Jardim de Alá, passei sete dias deitada na rede da gaiola do rio São Francisco, dormi no sleeping bag e sonhei! Entrei de cabeça na meditação, deixei de comer bicho, passei a estudar as estrelas, o sexo tântrico, a energia da kundalini, o poder do ayauáscar… Agora me chamam de Madame Rosita!

Hoje li no jornal que, pela primeira vez na história, uma mulher ocupa o posto de reitor da Universidade de Harvard. O reitor anterior renunciou em meio a polêmicas, uma delas quando disse que ” a diferença entre os sexos explicaria a ausência de mulheres na elaboração de trabalhos de alto nível ” … . Então fiquei pensando nos trabalhos considerados sérios e de ” alto nível ” pelos tantos “reitores” desta Terra e tive vontade de mandar aquele lá lavar um bom tanque de roupa, parir e amamentar uma criança!

Só assim ele seria capaz de saber o quanto vale uma mulher!

Rosana Rossi C. Romero, jornalista

Uma resposta para “Rosana Rossi C. Romero”

  1. Alexandre Colombo Disse:

    Olá Rosita!

    Parte dessas transformações eu acompanhei, nem que fosse apenas o final delas, mas acompanhei.

    Adore seu jeito de escrever e quem sabe não aprendo alguma coisa com o seu blog…hihih…

    Afinal, ao contrário de muitos reitores, conheço no mínimo 3 mulheres que, em matéria de inteligência, me colocam no chão…hihihi… e vc é uma delas.

    Beijocas na ponta do nariz

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